DEFENSORIA PÚBLICA DE MINAS GERAIS ATUOU EM 80% DAS AUDIÊNCIAS DE CUSTÓDIA REALIZADAS NO ESTADO
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| Vereador Alemão e o coordenador regional Péricles Batista (foto-arquivo) |
Defensoria Pública é
responsável por quase a totalidade das audiências, apenas 20% são conduzidas
por advogados. Procedimento reduz o número de prisões provisórias
desnecessárias.
As audiências de
custódia, que foram implantadas em Minas Gerais em agosto de 2015, já
analisaram a situação de 13.556 presos provisórios na região de BH. A
Defensoria Pública do Estado tem tido expressiva participação no projeto, por
entender que, assim, efetiva sua função institucional de defesa e garantia de
direitos das pessoas em situação de vulnerabilidade.
Durante o período de
agosto de 2015 a novembro de 2016, 80% das audiências realizadas contaram com a
assistência jurídica de defensores públicos, contribuindo para efetivar os
direitos humanos das pessoas privadas da liberdade, mitigando situações como o
encarceramento cautelar sem justo motivo e a execução antecipada das penas
privativas de liberdade.
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| O projeto Audiência de Custódia também representa efetiva economia de recursos para o sistema prisional (foto Ascom/DPMG) |
A avaliação prévia
dos juízes e a atuação dos defensores públicos evitaram que 5.173 pessoas se
juntassem aos quase 70 mil presos que ocupam o superlotado sistema prisional de
Minas Gerais, que possui a segunda população carcerária do país.
O percentual de
presos provisórios está em torno de 50%. Quase metade (48,32%) das pessoas
detidas em flagrante que passaram pelas audiências de custódia em que atuaram
defensores públicos não tiveram suas prisões preventivas decretadas.
Para a defensora
pública-geral do Estado de Minas Gerais, Christiane Malard, “os números sobre a
realidade penitenciária no país comprovam que o cárcere representa perda de
identidade, abandono e desesperança, muitas vezes, inviabilizando a inserção do
egresso à sociedade e, até mesmo, a realização de políticas públicas mais efetivas”,
afirma.
A defensora-geral
considera que, na maioria dos casos, a vivência penitenciária no Brasil não é
capaz de cessar o ciclo de violência que tem conduzido pessoas à situação de
encarceramento.
“Ao contrário, as penitenciárias tendem a intensificar esse ciclo e
a devolver a violência à sociedade. Diante disso, torna-se imperioso maior
acesso dos cidadãos que estão nesse estado de vulnerabilidade, à efetivação e
garantia de seus direitos fundamentais. As audiências de custódia são positivas,
não apenas por dar efetividade a tratados internacionais e à legislação em
vigor, mas também por coibir a possibilidade de violência policial”, conclui
Christiane.
A Defensoria Pública
de Minas vem, cada vez mais, assumindo seu papel de protagonista no sistema de
justiça criminal, na tutela dos direitos humanos do cidadão encarcerado,
garantido a liberdade e o acesso à justiça a milhares de cidadãos.
A audiência de
custódia consiste na apresentação da pessoa detida em flagrante delito, em até
24 horas após a retenção, ao juiz competente, para que o magistrado decida
sobre a necessidade da manutenção, ou não, da prisão do autuado. O projeto foi
idealizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e é realizado nos estados
com o apoio dos Tribunais de Justiça e das demais instituições integrantes do
Sistema de Justiça. O procedimento assegura que sejam cumpridas as normas de
direitos humanos e respeitadas as garantias constitucionais, em relação à
pessoa presa.
A audiência de
custódia está prevista em pactos e tratados assinados pelo Brasil, como a
Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San Jose) e Pacto Internacional
dos Direitos Civis e Políticos.
Registre-se que o
Plenário do Senado aprovou, em 30 de novembro, o projeto de lei que regulamenta
a prática das audiências de custódia em todo o país (PLS 554/2011).
Interiorização
A partir de maio
deste ano, as audiências de custódia passaram a ocorrer também nas comarcas de
Contagem, Ribeirão das Neves, Governador Valadares, Juiz de Fora, Uberaba e
Uberlândia. Ainda não há informações quanto à inserção de Nanuque no grupo.
Economicidade
Atualmente, o
projeto Audiência de Custódia representa, não apenas uma ferramenta de
aplicação da Lei e de garantia de direitos humanos, mas também, efetiva
economia de recursos para o sistema prisional que, além de superlotado, tem
alto custo para o Poder Executivo.
Para se ter uma
ideia sobre a média de custo com a manutenção de um custodiado no sistema e a
efetiva economia causada pelas audiências de custódia, em Minas Gerais, cada um
dos custodiados custa, em média, R$ 3 mil mensais.
Admitindo-se, antes
da custódia, um tempo médio de prisão de três meses, somente a soltura dessas
5.173 pessoas assistidas pela Defensoria Pública resultou em economia de R$
46,557 milhões para o Poder Executivo, além da liberação das respectivas vagas,
em apenas um ano, valor que pode aumentar, considerando que o projeto continua
sendo executado em sete das 296 comarcas do estado.
Deve-se salientar
que a audiência de custódia apenas confere celeridade à implementação dos
direitos previstos na própria Lei, seja a liberdade provisória, seja medida
cautelar diversa da prisão.
AÇÃO DA DEFENSORIA EM NANUQUE
Arquivo de março/2016 > Saiba mais clicando: AQUI


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